NOSSA ATUAÇÃO – 2º PERÍODO

/ NOSSA ATUAÇÃO

A RBCE surgiu da necessidade de integralizar e desfragmentar as políticas de saúde no Brasil — com ênfase no tema da atenção às urgências — e dar possibilidade de continuidade de elaboração e implementação de propostas transformadoras, mesmo quando há descontinuidade administrativa ou política das gestões de saúde nos Municípios, nos Estados ou na União, através da manutenção de um espaço de intercâmbio de experiências e desenvolvimento de capacidades entre os seus membros.

PERÍODO
2003 - 2007

APOIO À IMPLEMENTAÇÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL ÀS URGÊNCIAS E O QUESTIONAMENTO DOS LIMITES DE SEU AVANÇO

Durante os anos de 2003 e 2004, muitos de nós, técnicos vinculados a RBCE engajados nas atividades da CGUE e logramos implantar um grande número de SAMUs em todo o país, o que se constitui num avanço inquestionável.
A RBCE foi impulsora do critério de organização dos comitês gestores da atenção às urgências em todas as esferas do SUS e foi incorporada como membro pleno do Comitê Gestor Nacional da Atenção às Urgências desde a sua criação em 2005.
Apesar desses ganhos, porém, já em 2004 tínhamos a percepção de que, se era verdade que o eixo da regulação médica das urgências estava se expandindo muito rapidamente, através das centrais de regulação dos SAMUs, não se via, porém, o mesmo avanço na organização dos complexos reguladores da atenção do SUS, o que acabaria por comprometer a qualidade e o sucesso da regulação das urgências. Questionávamos e questionamos, portanto a não-implantação dos outros componentes do sistema regional de atenção às urgências, tais como a atenção primária e as unidades de pronto atendimento, e também as portas hospitalares de atenção às urgências.
Conheça os outros períodos de atividades e produtos da RBCE:

1995-03

2007-11

2012-17

2018-hoje
O eixo da Educação dos Trabalhadores das Urgências caminhou pouco no cenário nacional, sendo desenvolvidas ações isoladas em alguns locais onde se instalaram SAMUs e, na verdade, as propostas de Educação Permanente do MS passaram por diversas modificações e sua execução acabou bastante prejudicada e, os Núcleos de Educação em Urgências acabaram não se constituindo.
Da mesma forma, os eixos da Organização Regional de Sistemas de Atenção às Urgências e da Promoção da Qualidade de Vida e Saúde não caminhavam satisfatoriamente, apesar de serem pilares da própria Política Nacional de Urgências publicada como Portaria pelo Ministério da Saúde.
A organização de sistemas regionais de atenção às urgências esbarra nas dificuldades de regionalização do próprio SUS, que ainda não encontrou nos gestores municipais e estaduais a necessária maturidade para compreender e executar essa proposta tremendamente inovadora, especialmente em um cenário federativo, como o de nosso país. A ideia ainda dominante do “cada um por si” faz com que a atenção mais complexa e especializada chegue aos municípios menores de forma inadequada e insuficiente, contrariando os princípios da integralidade da atenção e equidade de acesso da Carta Constitucional de 1988.
No eixo da Promoção da Qualidade de Vida e da Saúde, como estratégia de enfrentamento das urgências, foi escolhida pela RBCE a implantação de comunidades protetoras da vida.
Esta forma de enfrentar as urgências, especialmente as traumáticas, desde uma abordagem dos seus determinantes e exposições, incidindo sobre elas a partir de uma aliança transetorial dos agentes públicos e das comunidades, construindo ambientes protetores da vida, tem uma inspiração na rede mundial de cidades e comunidades seguras liderada pelo Departamento de Medicina Social do Instituto Karolinska na Suécia, e que desde 2000 encontrou na RBCE o parceiro para o desenvolvimento desta proposta no Brasil, resultando inclusive na criação pela RBCE, da Rede Brasileira de Cidades e Comunidades Protetoras da Vida e na realização do I Congresso Brasileiro de Cidades e Comunidades Protetoras da Vida em 2005, em Porto Alegre, além de seminários e oficinas em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte.
Os trabalhos realizados no Rio de Janeiro tiveram como produto a proposta de formação de jovens agentes de comunidades protetoras, em desenvolvimento junto ao Instituto Vital Brasil, (Doc. 5) e no Rio Grande do Sul comunidades já estão em vias de ser reconhecidas como Comunidades Seguras pela Rede Internacional antes mencionada, que reconhece cerca de 130 cidades em todo o Mundo.
Em março de 2006, durante a realização pelo Ministério da Saúde do Congresso Nacional da Rede SAMU 192, em Brasília, a RBCE reunida em plenária apontou três linhas de desenvolvimento estratégico para a Rede Brasileira, buscando fortalecer seu protagonismo social:
Mobilizar-se pela garantia do direito à atenção suficiente e qualificada às urgências, apostando na organização e manutenção de um Observatório Nacional de Atenção às Urgências no Brasil, alimentando as lutas sociais e políticas para a conquista desta política com universalidade, integralidade e equidade no âmbito do SUS e na Seguridade Social.
Apoiar a organização dos trabalhadores para a conquista das condições de trabalho, carreira e remuneração nas urgências e para sua profissionalização – apostando no estudo da condição desses trabalhadores e liderando processos de qualificação profissional e qualificação da gestão do trabalho.
Para desenvolver o conhecimento nos vários campos conexos da política de urgências, decidimos apostar na criação de um Centro de Educação e Pesquisas em Políticas e Sistemas de Atenção às Urgências - CEPPURG, dedicado a desenvolver os processos de educação e de investigação que dão suporte aos dois objetivos anteriores e para aprimorar os campos de análise de necessidades sociais nas urgências, de gestão, planejamento, programação e avaliação de sistemas, redes, linhas e hierarquias na atenção às urgências, além do desenvolvimento das capacidades dos trabalhadores do setor e das estratégias para a capacitação e desenvolvimento permanentes.
Estes eixos se refletiram na orientação de muitas das atividades desenvolvidas desde então.
Conheça os outros períodos de atividades e produtos da RBCE:

1995-03

2007-11

2012-17

2018-hoje